
Morreu na madrugada desta segunda-feira, 31 de março, a artista brasileira Teresinha Soares, aos 99 anos. Uma das vozes mais radicais da arte produzida no país nas décadas de 1960 e 1970, sua obra confrontou normas morais e antecipou debates sobre gênero e sexualidade.
Atuando em um contexto de repressão política, Soares desenvolveu trabalhos que tensionavam diretamente o corpo e seus regimes de controle, abordando temas como prazer, violência e opressão em uma linguagem que transitava entre desenho, pintura e instalação.
Apesar de sua relevância, sua produção permaneceu por anos à margem das instituições, sendo retomada com maior força apenas recentemente, em exposições e revisões críticas que reposicionaram seu trabalho na história da arte brasileira.
Nos últimos anos, seu trabalho passou a integrar importantes mostras e coleções, consolidando seu papel como uma pioneira da arte feminista no Brasil e uma figura fundamental para a compreensão das relações entre arte, política e gênero no país.