
A artista norte-americana Pat Steir morreu no dia 25 de março de 2026, aos 87 anos, em Nova York, encerrando uma trajetória que atravessou mais de cinco décadas e reposicionou a pintura em diálogo com o acaso, o tempo e a matéria.
Associada inicialmente a debates do conceitual e do minimalismo, Steir consolidou sua linguagem a partir dos anos 1980 com a série “Waterfalls”, em que tinta diluída escorre sobre a tela, guiada pela gravidade. O gesto, ao mesmo tempo controlado e aberto ao imprevisível, tornou-se central em sua investigação sobre os limites da pintura.
Sua prática foi profundamente influenciada por pensamentos orientais, especialmente o taoismo, além de diálogos com artistas como John Cage e Agnes Martin, incorporando o acaso como elemento estruturante da obra. Ao longo da carreira, realizou exposições em instituições como o Brooklyn Museum, o New Museum e a Tate, além de integrar coleções como o MoMA e o Metropolitan Museum of Art.
Entre pintura, desenho e instalação, Steir também teve atuação significativa no campo editorial e feminista, sendo cofundadora da revista Heresies e integrante do conselho da livraria Printed Matter, em Nova York. Sua produção permanece como uma reflexão contínua sobre imagem, repetição e transformação — onde a pintura deixa de representar o mundo para operar como um fenômeno em si.