Não é difícil perceber que a nova individual de Bernardo Ortiz, em cartaz na Galeria Luisa Strina, revela-se em sutilezas. Por meio de superfícies discretas e um tanto frágeis, o conjunto de desenhos se apoia em poucos recursos – que vão de retângulos coloridos a letras que formam frases mais ou menos nítidas – como se cada trabalho testasse até onde é possível levar uma experiência à frente com o mínimo de recursos. Mas, com a repetição insistente de módulos somada à prudência sobre papéis manchados, recortados ou irregulares, acaba que o conjunto se torna bem mais complexo do que à primeira vista. Afinal, as obras parecem menos interessadas em obedecer a um projeto gráfico do que em acompanhar um tipo de vocação própria dos materiais.
Nos trabalhos em folhas maiores, em que módulos coloridos se repetem verticalmente, a disciplina do grid convive com uma espécie de deriva cromática. Pequenos retângulos verdes, azuis, amarelos e cinzas se distribuem com grande regularidade. Mas a força das cores, por outro lado, varia, criando faixas mais densas e outras quase apagadas...