Inspirada no filme Absences Répétées (1972), de Guy Gilles, a exposição Le lent demain constrói um ambiente imersivo que atravessa temas como solidão, memória e introspecção.
A mostra parte da figura do protagonista François — um jovem em crise, isolado em seu quarto — para elaborar um espaço expositivo que funciona como extensão dessa experiência: um território suspenso entre diário íntimo e ficção, onde passado e presente coexistem. Reunindo artistas latino-americanos, a exposição propõe obras que revisitam experiências pessoais e deslocam a percepção do tempo, criando composições fragmentadas em que memória e imaginação se entrelaçam.
Vídeos, objetos, imagens e referências literárias e musicais se sobrepõem em um cenário que remete a um quarto reconstruído — espaço doméstico transformado em lugar de reflexão, ausência e desejo. Trabalhos como os de Alejandro Cesarco, Nicolas Aguirre, Hudinilson Jr. e Isadora Soares Belletti evocam a passagem do tempo, a fragilidade do corpo e a presença constante da morte como horizonte.

