
Instalação de Alma Allen no Museu Dhondt-Dhaenens, na Bélgica
A 61ª edição da Bienal de Veneza, que ocorre entre 9 de maio e 22 de novembro de 2026, se aproxima a passos largos e os países vêm confirmando os artistas representantes de seus pavilhões há algum tempo. Mas só depois de muita especulação e confusão, o representante do Pavilhão norte-americano foi definido nesta segunda (24). É o escultor nascido no Utah e estabelecido no México, Alma Allen.
Com curadoria de Jeffrey Uslip, ex-curador-chefe do Museu de Arte Contemporânea (CAM) de St. Louis, Allen vai expor uma série de aproximadamente 30 esculturas na mostra que recebe o nome de “Alma Allen: Call Me The Breeze”.

(foto Sam Khan)
A demora na definição levou ao temor de que ninguém representasse o país no evento ano que vem, enquanto muitas questões surgiam no caminho durante o processo. Havia a especulação de que um número de artistas menor do que o habitual concorreram a esta edição da Bienal pela exigência do Departamento de Estado de que as propostas deveriam “refletir e promover valores norte-americanos”, segundo a ArtNet.
Além disso, a seleção de Allen também foi consideravelmente atrasada por uma reformulação no comitê, pela escolha de outro artista que logo foi descartado e pela mais longa paralisação governamental da história dos EUA.
Sem nenhuma exposição solo em museus de grande expressão e pouca participação em instituições locais, Allen surgiu como nome inesperado. De toda forma, a escolha pouco usual de um artista relativamente desconhecido como Alma Allen para a Bienal de 2026 encerra um longo e caótico processo feito pelo Departamento de Estado dos EUA.
Em entrevista, Allen afirmou que não havia se candidatado, mas que Uslip, que até então não se conheciam, telefonou em outubro para perguntar se aceitaria a participação, uma das maiores distinções do mundo da arte. Allen aceitou sem hesitar, mesmo com o alerta de pessoas do meio artístico para não se associar a uma administração presidencial que considera arte algo hostil.
De acordo com o The New York Times, as galerias Mendes Wood e Olney Gleason, que representavam Allen, recomendaram ao artista recusar o convite. Ao aceitar, o artista perdeu a representação de ambas.

Alma Allen, “Not Yet Titled”, 2023
A exposição seguirá a linha de sua prática artística, tendo como peça central esculturas de grande escala, em que materiais como madeira, mármore, rocha vulcânica e bronze se contrastam e são tratados por diversos processos. Dentre as obras expostas, algumas poucas serão novas. A maioria serão trabalhos já realizados pelo artista.





