
A galeria Verve inaugura a primeira exposição individual do artista baiano Oto Ferreira (1995). Natural de Serrinha, na Bahia. O artista apresenta 13 obras inéditas, entre pinturas e esculturas, realizadas em óleo sobre linho, madeira, óxido de ferro, carbono, pedra e granito, em diálogo entre o sagrado afro-brasileiro e a herança modernista da música e da escultura. Com abertura marcada para o dia 25 de Outubro, a mostra é intitulada “Àjọ̀”, termo iorubá que, no vocabulário da exposição, designa um movimento que pede concessões para que a celebração se realize no coletivo.
O artista une sua origem no ofício de luthier e violinista à sua vivência de terreiro, com uma pesquisa voltada ao uso da madeira e tradições ancestrais. Já expôs suas obras em diversos espaços de arte, como Galeria Refresco, Museu de Arte Contemporânea da Bahia, Galeria Isabel Pinheiro, MAM-BA, Anexo Casa da Pólvora, Galeria Cañizares, Museu de Arte da Bahia. E, recentemente, esteve em residência artística na Domo damo.
Para sua primeira exposição individual, o artista “articula a dimensão teúrgica de A Sagração da Primavera, de Igor Stravinsky, à cadência iorubá, assentada no diálogo entre escultura, pintura e a composição que delas se forma”, nas palavras de Marina Schiesari, que assina o texto curatorial. Oto Ferreira, continua, “trabalha com uma sublevação material do que já foi e ainda é orgânico, difratando padrões melódicos e ritmos sincopados (…) nos troncos amplificados por pinturas. Paisagens enquadradas como possíveis fundos desse lugar etéreo, feito com densos bocejos separados por linhas, formas e pontuações, firmado na exposição “Àjọ̀” como a jornada entre pontos, onde na regência se encontra o Orun e o Aiyê”, conclui a curadora.
